Semana passada estive na USP participando de uma Jornada sobre luto no campus de psicologia. Aproveitei os intervalos para visitar a biblioteca e consultar alguns livros que não se encontra tão facilmente por aí.
Um dos autores citados pela coordenadora da pós-graduação que estou cursando é Edwin Shneidman, conhecido como “pai da suicidologia”; aparentemente sua obra mais popular referente ao assunto, publicada há 30 anos, até hoje não foi traduzida e popularizada no Brasil.
Numa pesquisa rápida encontrei o tal livro “Suicide as Psychache” à venda na Amazon por pouco mais de R$420,00.
De um outro lado, no Brasil, temos o suicídio sendo amplamente abordado pelas religiões de forma estigmatizada, condenatória e punitiva, tornando o processo de luto dos afetados pelo suicídio ainda mais difícil e complicado.
Faz pensar… quando um pesquisador (talvez o mais importante) sobre o assunto não ganha popularidade o suficiente para ser traduzido, estudado e disseminado dentro das áreas médicas e psis, tornando o tema ainda mais marginalizado inclusive dentro de tais áreas de estudo e pesquisa, o que chegará aos enlutados: o discurso da ciência, ou da religião?
Deixo aqui relacionado dois artigos que chamam atenção sobre o assunto sendo abordado pela perspectiva da religião. Acho importante explicitar que a fé de cada enlutado por suicídio seja respeitada, e se for pertinente, que seja uma aliada para atravessamento do luto por suicídio.
Burnout e suicídio assombram igrejas: a dor silenciosa de padres e pastores…
A crença espírita no ‘Vale dos Suicidas’ que angustia parentes em luto
Acho importante começar abordando este tema trazendo o viés da religião, trazendo sobretudo este contraponto de como a ciência e os estudos sobre determinados assuntos permanece com pouquíssima visibilidade, carecendo de incentivo e disseminação.
O discurso que triunfa em nosso país nos dias de hoje é sem dúvidas o da religião dogmática, e talvez triunfará ainda por muitos anos, sendo impossível de ignorar ou deixar de fora de nossas considerações os efeitos que chegam em nossas clínicas.
Obrigada por ler até aqui.
Até o próximo.
Jessica Falchi Caçador

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