Psicóloga e psicanalista
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para adultos e adolescentes

A morte abre espaço para a vida

Diante da morte, seja a morte de alguém, ou mesmo a possibilidade de morrer, não se sai ileso: a vida se reconfigura.

Essa semana conversando com um querido amigo que está enlutando pela morte de seu querido avô, me lembrei de quando o meu avô morreu, três anos atrás.

(Pausa para um detalhe ortográfico: luto é um processo, não um estado fixo, mas curiosamente não temos um gerúndio para essa palavra, sequer temos um verbo – acima, utilizei minha licença teorica pra torcer a palavra e gerundiá-la)

Voltando à morte de nossos avós.

Ambos morreram acometidos por um câncer grave, que tomou conta de tudo – dos ossos, dos familiares, da carne de nosso emocional despreparado e imaturo para o cuidado e acolhimento diante da finitude.

Tanto sofrimento, e quando finalmente a morte chegou, respiramos aliviados. E culpados. Culpados por rezarmos pela a morte, que, piedosamente, apareceu para colocar um fim em toda aquela dor.

Depois, a vida continuou.

A alimentação que ficou negligenciada saciou a fome. A casa bagunçada teve a organização que precisava. A sujeira debaixo do tapete foi lavada. As lágrimas de culpa se transformaram em sal de saudade.

A morte abriu espaço para a vida.

No final das contas, a morte a gente até aceita de bom grado.
O que a gente estranha é o sumiço.

Jessica Falchi Caçador

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